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As Belezas de Rodelas: “Os doces encantados de Dora”

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Em Rodelas, no Norte da Bahia, morava Dora (Maria Teodora da Conceição), a famosa e querida Doceira. Viveu entre 1906 e 1997 e deixou um legado cultural que jamais será esquecido.

Fazia vários tipos de doces caseiros, como: doce de leite, de mandioca, de raiz de umbu (e também da cafofa do umbu), de banana, de goiaba, de caju, da casca de melancia e outros, principalmente o famoso Doce Alcomonia.

Família de Dora – Da esquerda para a direita: a sobrinha Ni com Maria Rita nos braços, a Doceira Dora,  o cunhado Liozé, as sobrinhas Filomena, Josefa e Roseane com Charlene

Sua casa era frequentada por todos, principalmente pelos estudantes que se encontravam por lá, marcando uma geração de rodelenses. Até hoje, pelas ruas da cidade muitas histórias são contadas, sempre com muito carinho e muita saudade.

A seguir, o relato dos amigos Rosalvo do Oiteiro, da Professora Veronice Almeida, da Professora Socorro Neves e de Ni, uma das atuais Doceiras de Rodelas e sobrinha de Dora.

“Sempre que falamos em Dora, revivemos uma época de muita alegria. Não é só falar dos doces e sim da história cultural de Rodelas. Como lembrança, ela me deu um “banquinho” que guardo até hoje com muita felicidade”, diz Rosalvo do Oiteiro, um grande historiador.

O banquinho do Sr. Rosalvo do Oiteiro

A Professora Veronice Almeida (Veró), descreve Dora desta forma: “Quantos encontros e desencontros dos jovens rodelenses foram feitos naquela casa tão aconchegante. Cabular aulas do antigo Colégio Luiz Viana para irmos comer doces na casa de Dora, era uma aventura. Principalmente pagos por nossos colegas que fazíamos trabalhos escolares, com Zé Acácio de Tia Dudu. Sem contar as belas tardes do domingo. Dora às vezes reclamava, só para disfarçar a alegria, de ver tantos jovens reunidos. Quantos dias felizes. Tínhamos lazer garantido”.

Professora Veronice Almeida

A doceira Ni

E a sobrinha Eunice Filomena dos Santos Souza (a doceira Ni), sobrinha de Dora, conta lindas histórias e inclusive dá a Receita do famoso Doce Alcomonia:

Ingredientes:

01 Rapadura

½ quilo da farinha de mandioca

Alguns caroços de pimenta do reino

01 xícara de chá de gergelim

Modo fazer:

Faça o mel da rapadura, coloque a pimenta do reino pisada e o gergelim (torrado e triturado). Vá colocando aos pousos a farinha de mandioca até endurecer e faça pequenos tijolos (como se faz cocada).

Está pronto o Doce Alcomonia! Bom apetite!

Conheça mais um pouco sobre a história da Doceira Dora, com o belo texto chamado “Algumas palavras sobre a Doceira Dora” escrito pela Professora Maria do Socorro Neves de Oliveira, que apresentamos logo a seguir.

E Rodelas é assim, um município repleto de coisas boas, de belas histórias. Quem não se recorda dos saborosos e encantados Doces de Dora!

Por Valdomiro Nascimento

Professora Maria do Socorro Neves Oliveira

Algumas palavras sobre a grande doceira Dora

A doceira Dora se destacou na cidade de Rodelas por seus doces maravilhosos. Sua fama corria os quatro cantos da cidade. Todos falavam sobre os saborosos doces de Dora.

No final da década de 1970, no início de minha adolescência, tornamo-nos vizinhas e tive a satisfação de conhecer essa pessoa admirável e profissional fantástica, com grande talento para fazer os mais variados tipos de doces que a todos encantavam.

Algum tempo depois de conhecê-la, passei a frequentar a casa de Dora, não somente para comprar doces, mas porque passei a admirar muito a sua pessoa e a gostar muito de suas conversas.

Apesar da grande diferença de idade que existia entre nós, os diálogos com Dora sempre me interessavam, eu me sentia à vontade em sua casa, falávamos sobre os mais variados assuntos. Sua simplicidade me encantava, e, a cada dia, nossa amizade crescia. Eu realmente a considerava como uma amiga.

A sua casa era sempre muito frequentada. Muitas pessoas, de todas as idades, compravam seus doces. Alguns queriam doce de calda, outros queriam em barra (tijolo, como ela falava). Havia também a comonia, um tipo de doce feito com farinha, que possuía um sabor bem peculiar, apreciado por muitas pessoas.

Lembro-me bem que aos domingos, o movimento na casa de Dora era bem maior, principalmente, pelos jovens. Os adolescentes e jovens da época viam a casa de Dora como um ponto de encontro, em lugar onde, além de se deleitar com os doces encantados, todos conversam muito, riam, brincavam.

A simplicidade e ingenuidade de Dora tornava a sua casa bem aconchegante, atraindo cada vez mais pessoas para comprar os seus doces, e aqueles que iam sempre ficavam por lá batendo papo, sem ver a hora passar.

Algumas vezes, Dora, de forma bem espontânea, engraçada e ingênua, reclamava do barulho, mandava que todos saíssem, mas todo mundo ria, corria pela casa, ia embora, no outro dia, já estavam todos lá. Não há como esquecer desses momentos de tanta alegria, descontração que vivenciávamos na casa de Dora. Esses momentos simples e felizes, com certeza, marcaram a minha adolescência e a de outros jovens da época.

Sem dúvida, Dora contribuiu de forma significativa para a cultura da culinária da nossa cidade e, até hoje, falamos nos encantados doces de Dora. Seu dom e sua habilidade em fazer doces jamais serão esquecidos, assim como a sua simplicidade e sua espontaneidade.  

Maria do Socorro Neves Oliveira

2 Comentários

  • Cheguei em Rodelas , no ano de 1998 . Não tive o prazer de conhecer a famosa Dora , mas, ouvi e ouço inúmeros relatos sobre os seus preciosos doces. Logo , fiquei sabendo sobre a herdeira do seu talento, a sobrinha Ni, a partir daí, comecei a degustar seus doces , que também é uma preciosidade na culinária Rodelense .

  • Parabéns, Valdomiro Nascimento, pelo Blog Luz dos Girassóis, como também, pelas matérias maravilhosas! 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼

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