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Por seu filho Miguel Justino Gomes de Carvalho
No dia 06 de novembro de 1929, na Fazenda Rochedo, próxima ao Povoado de São Francisco, Município de Macururé, Bahia, nascia Maria José Gomes da Silva, terceira filha de onze irmãos, fruto da união de Maria Gonçalves da Silva e Miguel Gonçalves da Silva.
Em 1944, Dona Maria faleceu ao dar à luz seu último filho. Antes de partir, chamou sua filha Mazé, como Maria José era carinhosamente chamada, e confiou a ela a responsabilidade de cuidar do recém-nascido. Infelizmente, o bebê não resistiu e faleceu poucos dias depois.
Aos 14 anos, Mazé passou a ajudar o pai a cuidar dos irmãos mais novos, pois as irmãs mais velhas haviam ido estudar em Alagoas. Desde jovem, demonstrava grande curiosidade e habilidade manual: observava as Costureiras da época e, aos poucos, aprendeu a costurar.
Em 1958, mudou-se para Paulo Afonso, Bahia, para morar com sua irmã Filomena, casada com o primo Bento, funcionário da CHESF, na Vila Poty. Lá, Maria José aprendeu bordado, costura e outras artes no artesanato das Irmãs Vocacionais. Nesse mesmo ano, foi indicada para trabalhar como Costureira no Hospital Nair Alves de Souza, onde permaneceu por muitos anos.
Trouxe também sua irmã Margarida, que ingressou no mesmo artesanato e, posteriormente, decidiu seguir a vida religiosa, tornando-se freira em 1961.
Durante uma Eleição no Município de Macururé, Maria José conheceu Emídio Alves de Carvalho. Eles pertenciam a Partidos Políticos opostos, e os amigos de Emídio sempre perguntavam:
— “Quando vai casar?”
Ele respondia, bem-humorado:
— “No dia de São Nunca à tarde.”
O destino, porém, tratou de surpreendê-lo. O casal uniu-se em matrimônio em 1º de novembro de 1959, data em que se celebra o Dia de Todos os Santos. Ela passou então a se chamar Maria José Gomes de Carvalho.
Em 12 de agosto de 1960, às 3h30 da manhã, nasceu o primogênito Miguel Justino Gomes de Carvalho. “Miguel” foi escolhido em homenagem ao avô materno, e “Justino” devido a uma promessa feita pela Irmã Ana Milo, em razão das dificuldades do parto. Os padrinhos foram o avô Miguel e a avó Clara.
Após o casamento, Maria José trouxe para morar consigo as irmãs Raimunda e Pastora, que a ajudaram na criação dos filhos Miguel e Edielza. A família residia na antiga Rua São Severino, posteriormente chamada Otávio Mangabeira, nº 53, na Vila Poty (atual Centro de Paulo Afonso).
Seu esposo, Emídio Alves de Carvalho, era funcionário da CHESF desde 1951. Maria José exerceu com amor e dedicação o papel de Assistente Social informal, acolhendo sertanejos que chegavam à Cidade em busca de tratamento médico. Muitas vezes, ela os acompanhava ao hospital, auxiliava na comunicação e resolvia problemas que surgiam, sempre com empatia e sensibilidade.
Após 33 anos de trabalho, aposentou-se em 1991, ao lado das amigas e comadres Bilú e Maria Alaíde, também Costureiras. Mesmo aposentada, continuou ajudando quem precisava. Em um terreno de sua propriedade, construiu uma pequena casa onde abrigou diversas Famílias até que conseguissem moradia própria.
Em 1991, Maria José e Emídio construíram sua residência definitiva na Rua Marechal Castelo Branco, onde viveram até o falecimento dela, em 06 de agosto de 2009. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Padre Lourenço, em Paulo Afonso.
Mulher de fé, caridade e amor ao próximo, Maria José deixou como legado o lema que norteou toda a sua vida: “Servir ao irmão.”


































7 Comentários
Tia Maria José! ❤️
Mulher forte, guerreira, de um coração enorme, com quem eu tive o prazer de conviver.
A ela minha gratidão e saudades.
Que história linda e emocionante,só nos resta a saudade!!!!!
Bela história, cheia de emoção! Parabéns Valdomiro!
Uma história de amor e dedicação! Digo porque tive a oportunidade de conviver com Maria José, em período de férias, então eu presenciei suas atitudes ao vivo e a cores. Sempre preocupada com o bem estar de todos, creio que encontrou descanso nos braços do Pai Celestial.
Parabéns pela homenagem, muito merecidas, só tenho a agradecer por ter conhecido essa mãezona, pulsos firmes e forte.
Tia mazezinha jamais esqueceremos seus ensinamentos e legados deixados. Obrigado tio Miguel por compartilhar o exemplo de mulher que foi tia mazezinha.
Gratidão