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Os Sabores da minha Infância!

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Escrever sobre a minha infância é uma satisfação gigante! As vivências, as pessoas queridas, os lugares, os momentos inesquecíveis, as comidas, os doces, as novidades da época, as nossas descobertas………..

A foto da Capa desta Matéria foi criada por Antonia Maciel de Paiva Silva, carinhosamente chamada de Codema, uma fiel representante da Sociedade de Icozeira, Povoado do Município de Abaré, Bahia, minha Terra Natal. Codema encontrou um fogão à lenha, uma panela de barro e cozinhou carne de bode. Uma maravilha!

Nasci na Fazenda Varjota, pertinho de Icozeira. Lá em casa tinha muita coisa boa. Minha Mãe Dona Cotinha fazia umbuzada (umbus cozidos e machucados, adicionados com açúcar e leite de gado), um delicioso jantar! Fazia também doce de umbus, coalhada de soro, coalhada escorrida, requeijão, manteiga de gado, cororó, borra, pisado de gergelim, posado de murici, bolo de puba, também diversos doces………

Em dias de Missa na Varjota (setembro e janeiro) tudo era muito bem preparado para receber os Padres e o Bispo Dom Jackson Berenguer Prado e muitos Convidados. Lembro-me das buchadas de bode, dos assados de galinha, porco e bode. Tinha uns beijus bem fininhos e sequinhos que Tia Santíssima fazia para aquelas ocasiões. Que deliciosos e elegantes! Minha prima Janilda, filha de Tia Santíssima, lembra do nome: Beiju Cambraia, de origem Nordestina, especialmente do Vale do São Francisco.

Guardo no meu coração: os doces e bolos de Madrinha Joaninha de Padrinho Silvino (conhecido como Servino), de Madrinha Antonia de Chiquinho, Madrinha Eliziária de Otílio, as elegantes roupas costuradas por Madrinha Alzira, os quitutes de Mãe Joana, minha querida mãe, das iguarias alegres e gostosas feitas por Patrocina de Padrinho Dezinho, minha irmã, a carinhosa e bela Madrinha Alice de Padrinho Senhor, Madrinha Eliza e Padrinho Fortunato, Madrinha Bilia e seu amado Pedro de Modesto (vivos e lúcidos, um presente de Deus), Dona Daglória e Zé Nunes (nosso Barbeiro), Madrinha Anjinha, Padrinho Pombo e Madrinha Aldiza, Terezinha e Maurício (in memoriam), Tininha e Serafim, as maravilhosas visitas de Titia Mariinha, Joaninha de Nazu, Dona Raquelzinha, Comadre Maria de Zé Borges (viva e lúcida, uma Historiadora), Dona Urçulina madrinha de minha mãe, a elegância inteligente de Madrinha Joaninha de Padrinho Elói, a beleza de Dona Ducarmo de Padrinho Tonhá, a beleza e a elegância de Madrinha Erundina de Padrinho Belo, a alegria irreverente de Madrinha Maria Pequena de Antonio de Féliz, Madrinha Emília e Padrinho Josué, Padrinho Zuza e Madrinha Neuza, a elegante Rosa de Dário, as elegantes e faceiras Madrinha Ercília de Padrinho Amando e minha mãe Cotinha de Valério, a beleza de Maria Eugênia de Amando (in memoriam – recente), a sempre feliz Marina de Damásio. Tia Isaura Maciel (está viva, lúcida e divertida! Lembro com muito carinho dos muitos Colaboradores da roça de seu Valério da Varjota, meu pai………………. 

A Feira Livre do Povoado de Icozeira, aos sábados, era uma celebração, um verdadeiro Encontro Social. Todas as Famílias se reuniam, falavam das novidades, dos acontecimentos, do progresso.

Para nós, as crianças, a Feira era um acontecimento muito esperado. Comer as delícias do Restaurante de Elizinha de Lucas, do Restaurante de Ana de Manoel de Bertulino e no final da tarde saborear a feijão de corda que Clara de Davina (Cacala) nos oferecia, nosso passeio estava realizado com sucesso total.

E os rosários de catolé que Joaninha de Nazu vendia? Colocávamos no pescoço e desfilávamos comendo os coquinhos deliciosos. Os doces de Izaura de Dodó eram magníficos. Os doces e bolos de Maria de Antonio Novo (Maria de João Moura) para nós eram coisas de Cidade grande! E as comidas de Alice de Ciriaco? Que delícia! E as Bancas dentro do Mercado? Vendiam muita coisa: jóias, roupas, calçados, tecidos, acessórios…..

Tinha ainda as Bodegas de Padrinho Zuza, Dona Belenha (conhecida como Bilinha), o Hotel de Dona Justa, os deliciosos doces de Dona Lina, a Bodega de Dona Júlia e Cipriano, de seu Valério meu pai, de Padrinho Josué, de Seu Lucas da Lagoa de Zé Alves…… não consigo lembrar de todos.

E a Elegância de Povo? Sempre foi destaque! Falavam e falam ainda hoje em outros lugares: “Icozeira é um lugar diferenciado”. Por ser da área de Moda, fica aqui registrado o meu Muito Obrigado! Somos Elegantes mesmo!

Consegui algumas fotos para colocar na Galeria desta Matéria, com a ajuda de minha Família e de muitos amigos, entre eles, Valdeny Nascimento (meu irmão), Antonia Maciel de Paiva Silva (Codema), Cecy de Aleixo, Niel Canário, Dr. Marcos Rogério Canário, Maria de José de Antonia, Lourdes de Patrocina, Mary Kelly Soares Barbosa Canário, Valdira de Belo, Leonor de Damásio, Léa Paiva, Ítalo Fernando Simões (Fotógrafo), Janilda Maria da Silva, Auzeni de Tia Delmira, Vera Almeida, Rita de Cássia Nascimento, Josenita Nascimento, Ana Gomes (Môza), José Gomes da Silva (José de minha Anjinha), Haraulgo Canário, Alzirinha Cipriano Nunes, Almir Paiva (Senhorzinho) e sua esposa Janilda, Joana Capistana, Nazarete Nascimento, Jailda de Joaninha de Januário, Almiro Alves da Silva Júnior, Dra. Elizângela Cipriano. Um registro da minha infância e da minha adolescência. Senti muito não ter encontrado foto de Tia Mariinha, Maria de Dodó e de Tia Jovem, irmã de minha mãe.

Para você que vai ler esta Matéria, um lembrete: nas fotos não tem legendas. São maravilhosas ilustrações do meu Universo. Sou muito feliz por fazer parte desta linda História, chamada “A Sociedade de Icozeira”!

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Atualmente o Povoado de Icozeira é reconhecido como um dos mais modernos e mais bonitos da Região. O asfalto chegou, a tecnologia, tem uma Escola de excelência, tem Posto de Gasolina, ruas asfaltadas, duas lindas Praças e muito mais. Viva a elegância do Povoado de Icozeira!

13 Comentários

  • Veronice Almeida Souza Bonfim
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    Parabéns Valdomiro, texto excelente e de dar água na boca.
    Nossos alimentos de outrora, mais saborosos e sem conservantes.

  • Ler uma matéria dessa envergadura, em pleno sábado (dia de feira na Icozeira) e não chorar, é praticamente impossível.
    Quantos nomes de figuras importantes na História da população Icozeirense, quantas fotos, quantos relatos. Meu Deus!!!!
    Icozeira é tudo para mim, foi lá onde iniciei a minha carreira acadêmica. Tempos bons que jamais esquecerei. Eram 18 Quilômetros a pé (ida/vinda) da fazenda pereiro até essa pequena vila (a época). Meus pais viviam da vida árdua que todo sertanejo enfrenta para sobreviver nos torrões sertanejos, a minha mãe trabalhava duro na roça e muitas vezes durante a noite ficava até tarde fazendo doces para vender nas festas tradicionais que aconteciam nas proximidades. ( São Gonçalo, Misssa na Icozeira, Missa na casa de Valério (Fazenda Varjota) e a tradicional feira da Icozeira.)
    Parabéns Valdomiro, não tenho o menor receio em afirmar que você é o maior historiador na atualidade.

    • Registrar a história demanda tempo, fato jornalístico e dedicação. Parabéns por imortalizar as pessoas que fizeram e fazem a história de Icozeira, um rincão que mora em meu coração. Continue divulgando nosso povo e suas histórias.

  • Foi difícil conter as lágrimas!!

    Sou filho de dois nordestinos nascido em icozeira, José soares e Toinha de Antônio novo, nasci e me criei em São Paulo mas sempre ouvindo as histórias da icozeira e os nomes e apelidos do seu povo, aos 13 anos de idade fui conhecer o povoado que tanto ouvia falar.
    Não vou negar, o choque cultural foi muito grande mas já estávamos preparados pra tudo aquilo, durante anos fomos ensinados a respeitar e entender a realidade do povo nordestino, depois de visita fiquei apaixonado pelo lugar, a fazenda dos pereiros é minha referência até hoje mas as lembranças da icozeira estão em minhas lembranças exatamente como você descre.
    Parabéns pelo sua dedicação em contar as histórias e publicar tantas lembranças boas, vida longa a você Valdomiro para possa compartilhar mais momentos de recordações como este, um grande abraço.

  • Gilberto Feitosa Sales
    Responder

    Valdomiro, meu primo querido!

    Vc com a elegância e o bom gosto de sempre, particularmente me emocionou com esse lindo texto.

    O que me fez sentir saudade desse lugar tão agradável com gente simpática e hospitaleira, as quais tive o prazer de rever em Julho/2025.

    Parabéns pela explanação minuciosa de tudo, inclusive dos doces que pretendo degustar na minha próxima visita em um futuro breve a esse lugar inesquecível.

  • Querido Valdomiro!
    Que alegria e emoção ler potente resgate culinário…resgate de nossas raízes. Muito obrigada por mais esse presente que é sua escrita.
    Tenho boas lembranças da Icozeira. Papai (Jonatas, filho de Santíssima e João Melquiades) ficaria radiante com este seu relato.
    Hoje a alimentação básica dos meus filhos é exatamente essa descrita por você.
    Viva a Nutrição do Sertão.
    Abraço
    Daniele

  • Não tem como não se emocionar, era uma época muito boa, onde o respeito, a reciprocidade e o amor andavam de mãos dadas. Me recordo perfeitamente da variedade de doces e bolos que o pessoal de Icozeira fazia para vender as pessoas que iam vender suas mercadorias por lá, também tinha outros pratos típicos da região que era uma novidade para quem não conhecia a culinária da nossa terra. Foi uma fase muito feliz que tivemos, mesmo sendo um povoado, havia muita harmonia e confiança entre seus moradores. Sempre que acontecia uma comemoração em alguma casa, as pessoas se reuniam para celebrar com alegria e honrar o convite recebido. Com relação a galeria, achei sensacional, me lembro com carinho.de todas as pessoas que estiveram presentes em nossa caminhada , que torciam para que a gente tivesse uma vida melhor. Desse aquele que nos ensinou a lê e escrever até aquele que oferecia um copo de água, também tinha os conselheiros. Gratidão a todos. Amei essa matéria!! Parabéns!!!💥💥💥💥

  • Valdeny Bernardo do Nascimento
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    Muito bom reviver momentos inesquecíveis da nossa vida ao lado de pessoas tão queridas e amigas onde construímos juntos momentos felizes na nossa infância obrigado meu Deus por ter crescido junto com esse povo maravilhoso

  • Parabéns Valdomiro! Excelente matéria, fazendo reviver minha infância neste lugar que trás tantas lembranças boas.
    Fiquei emocionada, ao lembrar da vida simples que levávamos, porém, muito feliz…as coisas simples, que fazíamos e éramos muito felizes!
    Essas memórias são incríveis!
    Me faz recordar de onde vir, e aonde quero chegar.

  • Excelente registro! Dá pra sentir o cheiro e o sabor de cada iguaria mencionada; isso é memória afetiva! Olhando as fotos me veio à memória inúmeras histórias (algumas até folclóricas) que ouvi na infância/juventude. Parabéns e muitíssimo obrigado, Valdomiro, por este trabalho tão cuidadoso.

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